Revista Cultural Novitas Nº 11: DIAHUM – Projeto Cultural
DIAHUM: dois anos de música sólida
Por Dimitri BR
Completando dois anos de existência, o projeto audiovisual DIAHUM (diahum.com) já filmou 19 videocanções, transpôs a barreira do mundo online para o físico, com apresentações ao vivo, e acaba de lançar o disco MÚSICA SÓLIDA, mantendo-se fiel a uma premissa tão simples quanto desafiadora: produzir e publicar uma música original no dia 1 de cada mês.
O compositor carioca Dimitri BR, responsável pelo projeto, conta um pouco dessa aventura musical e nos convida para uma visita guiada às videocanções da primeira temporada, com roteiro preparado especialmente para a NOVITAS.
#000 toujours des problèmes (la vie a deux – 2)
O DIAHUM começou como uma forma de levar ao público uma parte das mais de duzentas músicas que transbordavam da minha gaveta de composições. “toujours des problèmes” – samba francês sobre relacionamentos amorosos, feito a partir de um verso de Manu Chao – foi gravada alguns meses antes, já nesse espírito, e relançada junto com o site.
#001 deixa solto
Para criar um compromisso – tanto com o público quanto com nós mesmos – estabelecemos a meta de lançar uma música em vídeo no dia 1 de cada mês. “deixa solto” – um folk-rock bem humorado contra preconceitos e a favor do amor – foi a primeira canção filmada já com o desafio da restrição de prazo. A partir dela, todas foram assim – e não foi fácil, mas até hoje não atrasamos nenhum lançamento!
#002 a carne é fraca (epifania vegetariana)
Nos primeiros meses a equipe do DIAHUM se resumia a mim e à amiga Ana Sol – produtora musical cuja experiência com câmera se limitava, até então, a registrar os shows dos artistas com quem trabalhava. Assim como as anteriores, “a carne é fraca” – uma ode gaiata ao vegetarianismo – foi filmada em plano-sequência (sem edição) e com som direto; mas já se nota um pouco mais de liberdade na filmagem, bem como uma preocupação incipiente com roteiro, figurino e locação.
#003 eu não consigo me vender direito
Em “eu não consigo me vender direito”, já bem mais à vontade com o audiovisual, criamos um roteiro simples, mas que dialoga perfeitamente com a música – que canta, com ironia, o eterno conflito do artista com a necessidade de converter sua obra num produto comercialmente viável. O formato deu resultado: a videocanção é ainda hoje uma das preferidas do público, e chegou a ser exibida na TV aberta (no programa Segue o Som, da TV Brasil).
#004 que chato (ladainha tridimensional)
“ladainha tridimensional” marca a entrada de um novo elemento no DIAHUM: Alexandre Hofty, baterista e geek tecnológico, que com o tempo viria a se tornar peça fundamental no projeto. De cara, a chegada de Hofty marca a primeira videocanção na qual a edição teve papel importante: para dar vida à canção, que lamenta a limitação humana de viver em três dimensões, usamos uma trucagem clássica de cinema para mostrar três dimitris cantando em coro.
#005 mercado negro
Como o DIAHUM é produzido de forma totalmente independente, a adesão de muitos colaboradores talentosos foi fundamental para que pudéssemos acrescentar algo de novo a cada mês. Em “mercado negro” contamos pela primeira vez com profissionais do audiovisual: os cineastas paulistanos Luís Dreyfuss e Enrico Porro, que com seu know-how de fotografia e iluminação ajudaram a reproduzir nas imagens o clima sombrio da canção.
#006 microfonia
Também filmada em São Paulo, “microfonia” contou com a mesma dupla de cineastas de “mercado negro”, e mais Tiago Calil captando o som direto da bela interpretação das cantoras Juliana Bertolini e Helena Rosenthal, que também atuam na videocanção – a primeira a ter mais músicos/atores em cena.
#007 Mir
De volta ao Rio, “Mir” já mostra Hofty senhor dos recursos de edição: o samba com nome de estação espacial soviética foi transformado numa ficção científica retrô, com direito a locações externas e efeitos especiais. É também a primeira videocanção cujo som foi gravado inteiramente em estúdio.

#008 a briga do Edifício Itália com o Hilton Hotel parte 2 – 30 anos depois
Graças à constância dos lançamentos e á originalidade do projeto, a cada mês o DIAHUM conquistava novos adeptos, construindo aos poucos um público ainda pequeno, mas fiel e participativo. Nessa edição, no entanto, a audiência deu um salto significativo, por uma boa razão: a videocanção #008 contou com a participação especialíssima da cantora Zélia Duncan. Admiradora do projeto, Zélia deu sua benção se juntando a Dimitri para cantar a segunda parte da briga entre os famosos edifícios paulistas, iniciada em 1972 na célebre canção de Tom Zé.
#009 quando cai a noite
“quando cai a noite” é o exemplo perfeito da linguagem que batizamos de videocanção: a delicadeza da música, sua natureza cíclica e o tema da espera amorosa encontram total correspondência nas imagens estáticas, entre a história em quadrinhos e o stop motion. Prova disso é que a videocanção foi selecionada para a Mostra Livre de Artes do Circo Voador, em 2010. A gravação conta ainda com a bela voz de Graziela Grise, em mais um dueto masculino/feminino.
#010 música sólida
Mas é em “música sólida” que a integração entre som e imagem é levada ao extremo: numa subversão do formato mais tradicional da música brasileira, todos os sons da videocanção foram gravados em voz e violão – mas em pequenos recortes, que só depois foram montados para construir a música, junto com o vídeo, como num quebra-cabeças. O resultado é uma mistura de dub com bossa nova e manguebeat, na qual é difícil acreditar que todos os sons venham mesmo só de voz e violão…
#011 o tamanho do caminho
O primeiro DIAHUM de 2010 apresentou, de certa forma, uma volta às origens: com a câmera fixa num tripé e acompanhados apenas de seus violões, os irmãos Silvia e Dimitri BR interpretam em clima familiar o singelo mantra “o tamanho do caminho”, apropriadamente gravado na noite de Natal.
#012 o encontro de Mary Hansen e Tom Jobim no céu
Paola Ghetti, que já ajudara a produzir várias outras edições, estrela essa videocanção ensolarada, que abusa das belas paisagens cariocas para fazer uma homenagem ao maestro brasileiro e à musicista australiana – numa bossa nova eletrônica, resultado hipotético do encontro celestial entre os dois.
#013 problems and desire
A edição de março de 2010 foi uma produção conjunta do DIAHUM e da revista de poesia Modo de Usar & Co., editada pelos poetas Ricardo Domeneck e Marília Garcia. A letra da balada é de Marília, que também se encarregou da filmagem, e a videocanção conta ainda com uma declamação de Ricardo, enviada por email de Berlim, onde reside.
#014 um minuto de canção
A última videocanção da primeira temporada – um rock direto e urgente sobre o fim da canção – faz uma retrospectiva-relâmpago, com uma colagem de imagens de todas as videocanções anteriores.
MÚSICA SÓLIDA em disco
No dia 1 de maio de 2011, o DIAHUM lançou o disco MÚSICA SÓLIDA, com faixas escolhidas pelo público dentre as músicas das videocanções de #000 a #014. Para ouvir e baixar o disco completo, acesse DIAHUM.COM. E seja bem vindo para nos acompanhar nessa jornada e conhecer mais música original, sempre no dia 1 de cada mês!










